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Preço da irresponsabilidade

Descrição de imagem: Professor Marcos Cintra. Fim da descrição de imagem Professor Marcos Cintra, afirma: “Ministro Joaquim Levy, ter a missão de pilotar um ajuste da ordem de mais de R$ 100 bilhões este ano”, diz Cintra. Entre as medidas anunciadas estão; a redução de gastos em reas da seguridade social e do financiamento estudantil (confira). 
 
Artigo enviado por: Marcos Cintra doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA) e professor titular de Economia na FGV (Fundação Getulio Vargas). Foi deputado federal (1999-2003) e autor do projeto do Imposto nico.
Publicado: 05-03-15
Fotos: Arquivo pessoal de Cintra
 
 
Entre 2013 e 2014 o rombo nas contas pblicas mais que dobrou no Brasil, passando de 3,25% para 6,7% do PIB. Ano passado o dficit nominal brasileiro foi o maior em uma dcada e hoje um dos mais elevados do mundo, ficando atrs apenas de Venezuela (12%), Egito (11,9%) e Japão (8%).
 
A m gestão orçamentria criou uma situação de descalabro nas contas pblicas e, por conta disso, o pas est iniciando um severo ajuste fiscal. o preço que o brasileiro vai pagar por causa de intervenções desastradas do governo na economia ao longo dos ltimos anos e pelas ações populistas e irresponsveis que destruram fundamentos que levaram anos para serem consolidados, como os sistemas de meta de inflação e de supervit primrio.
 
Vale lembrar que em junho de 2013, em uma audiência pblica na Câmara dos Deputados, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, exaltava a poltica econômica dizendo que o pas caminhava para um dficit zero e que “não h como questionar a solidez das contas do governo”. Como em outras ocasiões, Mantega errou. O dficit não s dobrou de tamanho em apenas um ano e a tal “solidez das contas do governo” não passou de palavras sem fundamento.
 
O resultado negativo de 6,7% do PIB nas contas do governo representa a diferença entre o total da receita e o total da despesa ao longo de 2014, incluindo o pagamento dos juros da dvida pblica. O dficit apurado se revelou pior que o apurado em pases que estiveram no centro da crise europeia, como Grcia (dficit de 4% do PIB) e Espanha (dficit de 5,6% do PIB).
 
Cumpre destacar que a deterioração fiscal brasileira deriva da destruição da poltica de geração de supervit primrio, calculado antes das despesas com os juros da dvida pblica, cuja adoção se deu em 1999. Esse sistema foi essencial para reduzir o endividamento pblico e ajudou a melhorar a confiança dos investidores externos no Brasil. 
 
Nos ltimos anos houve um claro abandono pelo governo federal desse regime em nome de uma poltica orçamentria de cunho meramente eleitoreiro e assistencialista, que fez o saldo positivo das contas da União, que chegou a 2,5% do PIB no perodo 2007-08, encerrar 2014 com dficit em 0,3% do PIB.
 
Os erros e os desmandos observados nos ltimos anos levaram a atual situação fiscal. Para tentar consertar o estrago foi convocado o ministro Joaquim Levy, cuja missão ser pilotar um ajuste da ordem de mais de R$ 100 bilhões este ano. Algumas ações j foram divulgadas e envolvem a elevação de tributos e a redução de gastos em reas da seguridade social e do financiamento estudantil, por exemplo. Novas e duras medidas devem ser anunciadas ao longo do ano.
 
 
Este e o prximo ano, pelo menos, vão exigir enormes sacrifcios dos contribuintes, empresrios e trabalhadores brasileiros. preciso recuperar novamente a credibilidade na esfera das contas pblicas, obtida a duras penas a partir do final dos anos 90, cujo preço ser uma combinação de recessão, desemprego e mais impostos. A irresponsabilidade fiscal do atual governo far com que o pas ande para trs.