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Cenrio desalentador

Descrição de imagem: Professor Marcos Cintra. Fim da descrição de imagem Em artigo enviado a nossa redação o economista e professor, Marcos Cintra, fala sobre a crise e inversão de valores que alcança diversos cenrios do nosso pas e desabafa fazendo um convite aos brasileiros: “Nesse triste e desalentador cenrio, creio que s uma revolução salva o Brasil. Uma revolução de ideias, e disposição para mudar”.
 
 
 
Artigo enviado por: Marcos Cintra doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA) e professor titular de Economia na FGV (Fundação Getulio Vargas). Foi deputado federal (1999-2003) e autor do projeto do Imposto Único.
Publicado: 22/07/15
Fotos: Nalva Lima Studio Artes 
 
 
Corrupção e enriquecimento ilcito tornaram-se fatos corriqueiros e tolerados pelos brasileiros. Em tempos recentes ocorreram, por exemplo, o mensalão e a roubalheira na Petrobrs. Fatos graves como esses derrubariam governos e fariam revoluções em pases ciosos de seus direitos. Aqui tudo vira “folclore”, como disse Lula certa ocasião. A culminação dessa injustificvel tolerância foi plenamente completada com a reeleição de Dilma Rousseff, cujo grupo poltico chafurdou na lama toda a nação.
 
O mensalão e o caso da Petrobrs não são apenas uma ação de quadrilheiros roubando em benefcio prprio. Sempre houve ladrões, aqui e no resto do mundo. da natureza humana. Mas no Brasil mais do que isso. Criou-se uma organização criminosa, uma estrutura poltico-social organizada, incrustada no poder, agindo de maneira sistêmica e orgânica, comprando votos e consciências e violentando o funcionamento das instituições.
 
Tudo isso afasta da poltica os homens bem intencionados, criando uma reserva de mercado e um vasto campo de atuação para os setores podres da sociedade que fazem da poltica e da atividade pblica uma profissão, tendo como nica meta atingir seus objetivos pessoais. A poltica deixa de ser uma contribuição que os cidadãos devem sentir-se moralmente obrigados a oferecerem aos demais concidadãos, e passa a ser um meio de vida. Homens pblicos abandonam suas atividades profissionais, e passam a depender da poltica para garantirem sua sobrevivência. Pessoas nessas circunstâncias tornam-se capazes de tudo e de qualquer coisa para sobreviverem. Ao invs de profissionalizar a administração pblica, como fazem os pases avançados, profissionaliza-se a poltica, que passa a substituir o burocrata de carreira (no bom sentido) na gestão do Estado.
 
Quando as elites se locupletam, o povo sente-se legitimado para fazer o mesmo. Os meios de comunicação glorificam desvios de conduta ticos e morais. Novelas principalmente, escoradas no princpio inquestionvel da liberdade de opinião e estimuladas pela desbragada luta por audiência, desafiam a consciência dos cidadãos que ainda possuem algumas referências para discernir o certo do errado. A apologia da malandragem, da ganância, da luxria e de outros vcios corri instituições e valores tradicionais como a famlia e a convivência pacfica e civilizada entre pessoas.
 
A acintosa ostentação dos ricos ofensiva e aguça a violência. A indstria do medo prospera de forma assombrosa. A propriedade privada passou a ser um direito relativo com a inatividade do governo frente s invasões de terras e de imveis urbanos. A depredação de bens não mais punida, desde que seja protegida sob o manto dos “movimentos sociais”. O poder pblico se omite e tenta acomodar a situação. O Brasil beira a afronta institucional.
 
E enquanto tudo isso ocorre, a chamada “sociedade civil organizada” apenas esboça reação com inteis mobilizações miditicas que em geral posicionam-se contra, corretamente, muitos aspectos da nossa triste realidade, mas mostram-se incapazes de serem a favor de algo capaz de avançar na busca de soluções efetivas. Mobilizam, sem propor. Deixam a impressão de terem apenas objetivos polticos eleitorais.
 
Nesse triste e desalentador cenrio, creio que s uma revolução salva o Brasil. Uma revolução de ideias, e disposição para mudar.
 
 
Marcos Cintra doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA) e professor titular de Economia na FGV (Fundação Getulio Vargas). Foi deputado federal (1999-2003) e autor do projeto do Imposto nico.
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